Alerta do dia

A fia posta o seguinte no Instagram:

Considerações:

  • Laxante e diurético não emagrecem. O laxante faz com que seu intestino (e não o estômago) se esvazie mais rápido, o que prejudica a absorção dos nutrientes, te dá uma puta diarréia e cólicas de matar. O diurético só faz com que você elimine líquido mais rapidamente, o que pode baixar muito a pressão arterial e até provocar complicações cardíacas. A menina tomou TRÊS laxantes porque estava se “sentindo gorda”e foi parar no hospital;
  • Se ela estava com o intestino preso por causa de uma dieta “mais leve”, ela provavelmente não estava ingerindo fibras e nenhum tipo de gordura. Dieta restritiva não funciona, gente. Detona a saúde e depois você engorda o dobro, sai comendo até as paredes da casa;
  • Quer emagrecer e permanecer magra? Reeducação alimentar. Ou queimar mais calorias que você ingere.
Agora vejam a menina que foi parar no hospital:
Precisa tomar 3 laxantes e ir parar no hospital? Não, não precisa.
Quer emagrecer? Dou a maior força, acho que cada uma tem que estar feliz com seu corpo. Mas sejam inteligentes, procurem um nutricionista. Quem não tiver condiçõe$, é só diminuir o sal, açúcar, frituras e fazer um exercício físico, pode ser até uma caminhada em volta de casa.
Não se deixem levar por blogueiras malucas e inconsequentes que têm merda na cabeça e não fazem nada da vida (não estou dizendo que é essa do post, que aliás nem conheço) além de ficarem postando fotos de ração de whey e de academia no Instagram.
Vejam o que aconteceu com a Daiane e pensem que a próxima pode ser uma de vocês.
Se você é egoísta e só pensa em si própria, quando for fazer bobagem pense nos seus pais, nos seus irmãos, em pessoas que te amam de verdade. Imagine a decepção e o sofrimento deles, aí, quem sabe, a ficha cai. #ConselhosdaTitia

UPDATE:

Recebi um email da menina da foto, explicando a situação:

Olá, Priscilla! Tudo bem?

Venho aqui com toda a minha educação pedir para que retire o post em que usa minha imagem ou então mostre o que aconteceu de verdade! Bom, não te devo a menor satisfação do que acontece na minha vida, mas acho que você poderia ser mais interessada em contar a verdade dos fatos e não se equivocar nas suas palavras, corrompendo assim a minha imagem (sim, minhas leitoras já vieram me avisar desse absurdo que você postou e fez com que as pessoas me vissem de modo que não sou).
Sempre fui saudável (e sou)! Engordei um pouco e resolvi começar uma dieta com uma das clínicas mais renomadas da minha cidade. Tudo é feito com alimentação saudável e eu queria perder pouco porque sei que tenho um corpo bonito e gosto de mim assim. Você acha isso anorexia ou bulimia? Pois é…
Continuei a minha dieta, que é rica em fibras, só que não tenho o hábito de beber muita água, por mais que me esforce. Acho que você também sabe que quando comemos fibras e não tomamos líquidos pode nos causar a prisão de ventre. Falei com a minha nutricionista, ela passou um coquetel de frutas com linhaça e aveia – não funcionou, daí ela me passou um mix de probióticos de uma farmácia de manipulação, que também não funcionou. Até que no 9º dia de prisão de ventre, resolvi tomar o laxante (por decisão própria, sem comunicar à minha nutricionista), e nele havia indicando que, para a minha idade, eu precisava tomar 2 cápsulas e foi isso que eu fiz. Ao passar do dia, não percebi mudança e resolvi tomar mais ums. À noite veio o resultado e no outro dia fui no hospital porque me senti desidratada. Tomei 2 bolsas de soro, um Dramim e pronto, voltei pra casa. SÓ!
Agora me diz: onde está minha bulimia? Como você afirma que eu tenho MERDA na cabeça e que sou maluca e inconsciente sem nem me conhecer? Pelo contrario! Na parte da postagem que em que eu falei que havia errado e que ninguém deveria fazer isso você simplesmente CORTOU! Acho que nada melhor que um EXEMPLO para mostrar às pessoas o que acontece. Acha certo manipular as coisas dessa forma?
Você não me conhece, não sabe quais são os meus princípios, não sabe como é minha alimentação (sempre faço exames e sempre é provado que sou saudável), as dicas que dou para as minhas leitoras e, pelo visto, nem procurou mesmo saber isso tudo antes de postar. Pegou somente uma parte da história que achou conveniente fazendo eu me passar DOENTE e louca. Acha certo? Se ponha no meu lugar!
Então por isso que estou te pedindo com toda educação para contar no post sobre o que de fato aconteceu ou então retirar minhas imagens!”

Só lembrando que em nenhum momento eu a chamei de maluca, inconsequente e nem falei que ela tinha merda na cabeça. Também não cortei parte da postagem dela, o print saiu assim. Mas, por via das dúvidas, vou colar o resto do texto:

Como eu disse a ela, o post não foi sobre ela especificamente, foi apenas um alerta por causa das atrocidades que vemos na internet, a foto dela foi meramente ilustrativa. Só queria dar o aviso.

Dica do dia

Resumindo:

  • se você não se vestir como uma periguete, seu marido vai procurar uma na rua;
  • você pode se vestir de periguete, mas se seu marido não gostar de baton vermelho, não use (ou use escondido, quando for sair sem ele);
  • ou seja: seja submissa, esqueça que tem opinião própria e só use o que seu marido gosta, senão ele vai procurar outra na rua, hein?

Garotas superpoderosas?

Olha como sou boazinha, digitei a matéria TODA da Vogue de outubro para vocês!
“Coisa de três anos atrás, mulher que falasse só de sapato e bolsa era “it chata”. Hoje os blogs de sucesso de moda falam de quê? Sapato e bolsa. Aí me pergunto: como esse tipo de conversa superficial – e viciante como cigarro e álcool – ganhou sinal verde a ponto de transformar em fashion stars meninas que passam seus dias (e às vezes noites) postando monotematicamente sobre o que estão vestindo ou gostariam de vestir?
Torturada por essa questão, fui parar no sofá do meu amigo lacaniano Jorge Forbes. E concluí com a ajuda dele que as blogueiras de moda constituem hoje, quem diria, um fenômeno de contracultutra, de resistência ao individualismo – a maior e mais agregadora tendência de comportamento contemporânea. Explico: as leitoras dos blogs querem ser como suas autoras, comprando as mesmas roupas e montando o mesmo look do dia. Depois de décadas sendo doutrinadas de que bom senso mesmo é ser diferente, buscam a semelhança para construir suas próprias identidades.

Outra conclusão importante é de que as fashion bloggers são fruto do casamento da dona revolução digital com nosso bom e velho Narciso. E dele posso falar: sou melhor amiga! Narciso não é um apaixonado por ele mesmo. É alguém muito carente. E vivemos em uma sociedade de relações líquidas, com vínculos pobres, que produz gente com necessidade tóxica de atenção. Tomar emprestado o valor de objetos que falam por si (love logos, anyone?) faz com que se sintam reconhecidas, inclusas. Gritar para o mundo o que fazem e como fazem valida essa mecânica hiperconsumista. E, quanto mais plateia, mais gratificadas elas se sentem.
Que fique claro: não tenho nada contra blogs per se. E amo sapato e bolsa. Mas só isso e pulseirismos? Será que precisa ser tudo tão vazio? ‘Blogs de moda são wannabe por excelência – wannabe loved, wannabe famous’, filosofa Luiz Felipe Pondé. A categoria não deve, entretanto, ser pensada com indignação, como se fosse a Geni do novo milênio. ‘Tudo isso é um diagnóstico que atesta como a gente é mesmo banal hoje em dia. Vaidade em latim é vanitas, que é vão, vazio’, completa.
Há coisa de um mês, muitos foram ao delírio com o bas-fond – inclusive eu – dos consumidores que denunciaram para o Conar, órgão regulamentador da publicidade, três blogueiras de moda que supostamente publicaram posts pagos, falando bem de uma determinada marca de beleza, tratados como se fossem conteúdo meramente editorial. Publicidade travestida de notícia sem advertência é propaganda enganosa, crime contra o consumidor – e isso, no way. Em jornalismo é antiético precificar opinião, uma vez que sua base é justamente a isenção de comprometimento. São regras tradicionais, que existem desde os tempos de Gutenberg e que precisam mesmo de guardiões de ambos os lados do balcão.
Como profissional bipolar – jornalista e publicitária – entendo que vestir uma roupa x, um sapato y, tirar foto na frente do espelho e postar em social media com os devidos créditos não é jornalismo. É fenômeno de uma nova era, com novas linguagens, valores e ferramentas, construido em torno de um meio, a web, ainda sem regulamentação. Dada a brecha, há quem misture as bolas e comercialize o que deveria ser apenas uma opinião pessoal. E dá dinheiro. Tem quem pague. Tem quem dê audiência. Tem que goste. E quem odeie.
Não importa de que lado você esteja, entretanto, esse é um movimento impossível de barrar. Porque, tesarac!, todo mundo vai ter de se reinventar. A palavra, quase cabalística, foi inventada por um poeta, Shel Silverstein, para rotular algo avassalador que faz você perder o chão, que deixa as coisas esvaziadas de sentido. Para ele, o tesarac foi a morte da filha. Nós, publicitários, usamos a palavra para ilustrar o colapso do jornalismo e da propaganda diante da nova realidade – ainda não consolada – da web. Crimes reais no mundo virtual, hiperconsumismo, copy + paste, overload de informação vazia… Mas há também muita coisa boa surgindo: novas profissões, conexões, voz ativa da sociedade. Como lidar com tudo isso? quem faz conteúdo pode começar lendo Neruda, que ensina: ‘Escrever é fácil. Começa com maiúscula e termina com ponto. É só colocar ideias no meio.‘”
Matéria de Chris Mello, com grifos meus.
(O interessante é isso estar na Vogue, uma das duas revistas brasileiras que mais enaltecem a importância da existência dessas blogueiras fúteis e sem conteúdo.)